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Patrinidade ou a odisseia de um tripai

Ser pai é a melhor experiência do mundo, imaginem ser pai de três, e logo de três rapazes! Este espaço vai ser dedicado às minhas peripécias como pai e à aventura mais alucinante que se pode imaginar...

Patrinidade ou a odisseia de um tripai

Ser pai é a melhor experiência do mundo, imaginem ser pai de três, e logo de três rapazes! Este espaço vai ser dedicado às minhas peripécias como pai e à aventura mais alucinante que se pode imaginar...

Trimãe

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À frente de um tripai, estará sempre uma grande trimãe. A minha esposa queixa-se que o blog não a refere. Na verdade, é injusto dedicar-lhe um post, a mãe que é merece um blog, um livro, e não um simples post.

Mas se eu fosse a responder ao desafio, poderia, por exemplo, lembrar a forma como aguentaste aquelas horas de sofrimento numa cama de hospital para o Guilherme nascer. Foram 24 horas a ver o que um ser humano consegue suportar, a ouvir-te dizer que não aguentavas mais e a ver-te aguentar sempre mais, sem ajuda de ninguém, a passar por um sofrimento que ninguém deveria passar.

Podia lembrar as tuas lágrimas quando percebeste que não podias ter o teu filho ao teu lado, quando tiveste mais uma vez de suportar algo que é tão duro para uma mãe, não poder ter o filho recém nascido ao pé si, no quarto. Como te arrastavas pelos corredores do Hospital para ir ter com a tua cria. Mal te aguentavas em pé, mas ias. Depois, como se não bastasse, ainda tiveste de ir para casa e deixar o teu filho no Hospital. É duro. Foi duro.

Acho difícil que os nossos filhos alguma vez consigam dar valor ao que fazes por eles. É o normal. Como se dá o valor devido a alguém que correu risco de vida para nos trazer ao mundo?

Mas acredito que para ti, como para mim, cada sorriso deles, cada abraço, cada beijo, façam esquecer tudo. É verdade que muitas vezes eles chamam mais por mim, mas, quando precisam, não é a mim que querem, é por ti que chamam.

Se fosse responder ao desafio podia lembrar o que aguentaste para trazer os nossos segundo e terceiro filhos ao mundo. Mais uma vez vi o que o ser humano consegue aguentar, até fisicamente. Não consigo imaginar o que te passava na cabeça naqueles momentos, quando te disseram que ias ter gémeos choraste e, se eu tivesse juízo, também teria ficado apreensivo. Depois assustaram-te uma e outra vez. E choraste mais um bocadinho. Depois veio a prova maior, aqueles dias em que tivemos de lutar pela sobrevivência dos nossos meninos. Lutaste tu, eu só lá estava.

E chorámos.

Escrevo para ti porque se fosse para os outros não podia recordar as coisas difíceis pelo que passámos. Dizem-nos, mas correu tudo bem... Pois, eu sei, ainda bem que assim foi. No fundo é isso e só isso que importa. Mas há coisas que nos marcam e, porque correu tudo bem, valorizam ainda mais o que temos.

Podia também lembrar que um dos teus filhos suspira e tu ouves, mesmo estando longe deles. Um deles chora e tu sabes qual é. Eles mexem-se na cama e tu acordas. Há tanto que podia lembrar e referir.

Bem vistas as coisas não queria que o Guilherme tivesse ficado internado. Não queria que tu também tivesses ficado. Não queria voltar para casa e não te ter lá, por isso não voltei para nossa casa, não antes de voltar contigo. Não queria que tivessemos de ir a Londres, deixando o nosso menino cá, para salvar os manos. Não queria que tivesse sido necessário. Mas foi. Tudo isso foi. E já que assim foi, só posso agradecer, porque passei por isso ao teu lado.

 

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