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Patrinidade ou a odisseia de um tripai

Ser pai é a melhor experiência do mundo, imaginem ser pai de três, e logo de três rapazes! Este espaço vai ser dedicado às minhas peripécias como pai e à aventura mais alucinante que se pode imaginar...

Patrinidade ou a odisseia de um tripai

Ser pai é a melhor experiência do mundo, imaginem ser pai de três, e logo de três rapazes! Este espaço vai ser dedicado às minhas peripécias como pai e à aventura mais alucinante que se pode imaginar...

Tradições

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Por estes dias é difícil andar pela rua sem dar de caras com uma bruxinha. É uma tradição que não me diz muito, para não dizer que não me diz rigorosamente nada.

Como diz o outro, eu é mais bolos... Neste caso, broas. E como o forno está a bombar, com as broas vem o pão doce, o pão de mafra caseiro, o pão com chouriço e o pão com torresmos.

Na terra da avó Ana vive-se outra tradição a preceito, o Pão por Deus. O dia do Pão por Deus é só amanhã, mas como as encomendas de broas são mais que muitas, na casa da Avó Ana o forno começa a trabalhar muitos dias antes, e cá os gulosos agradecem.

Hoje o Guilherme lá foi todo orgulhoso para a escolinha com o seu cesto de broas e pão doce para os amiguinhos provarem. Amanhã, lá vamos ao Pão por Deus!

Eu sabia que ia dar jeito

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 Eu sabia que um dia os exercícios que aprendi na preparação iam dar jeito. Em dois partos não foram muito úteis, confesso... Mas eis que quatro anos depois, num momento de intimidade com o Guilherme (ele sentado na sanita), o rapaz me pede ajuda para executar o trabalho... E não é que aqueles exercícios de respiração ajudaram?... 

Feira da ladra

 Muitas vezes costumamos dizer que quando eles estão muito calados é sinal que alguma estão a preparar... Mas quando estão a rir e na galhofa, normalmente não estranhamos... O pior é quando finalmente decidimos entrar no quarto...

Solo sagrado

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 Todas as semanas o Gonçalo e o Martinho têm um ritual quando chegam à natação (no Estádio da Luz). Não percebo bem a razão mas é um ritual que a mãe não aprecia, diz que envolve doenças e bichinhos e umas coisas que eu não sei onde vai buscar...

É que os rapazes quando se encontram dentro do recinto sentem a necessidade de se ajoelhar e beijar o chão. Eu bem tento explicar que é solo sagrado mas a mãe teima em não querer perceber...

Viagens

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Hoje reparei num pormenor engraçado nesta fotografia. O Gonçalo segura um brinquedo, uma réplica do autocarro tipicamente londrino, na primeira viagem que fazemos juntos de autocarro.

Foi também numa viagem, não na primeira, mas na mais importante de uma vida, que eu e a mãe vimos pela primeira vez o Gonçalo, ao vivo, a cores e ao pormenor, quatro meses antes de sermos abençoados com o nascimento dos nossos filhos mais novos.

E essa viagem foi, precisamente, a Londres. A vida tem detalhes engraçados...

Quando eu for grande, como tu

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Por estas bandas a batalha por uma alimentação melhor continua... O Guilherme resiste estoicamente a comer carne e peixe, sem ser enganado...

Todas as estratégias são válidas. Comecei no banho a dar-lhe uma grande cantiga, enquanto o secava, a dizer que um dia ele vai ter de comer carne e peixe, senão pode ficar doente e nós não queremos isto... Lá foi dizendo que sim mas, perante a minha insistência pergunta-me:

- Pai, não é bom ficar constipado pois não?

- Não filho...

- É que estou a ficar com frio e constipo-me se não me vestires...

É justo, pensei, sem contudo desarmar...

Lá continuei a minha palheta enquanto o vestia.

Já mais quentinho no seu pijama, a sua estratégia também mudou...

- Pai...

- Sim filho...

- Quando eu crescer, como tu, e for da tua idade...

- Sim filho...

- Aí eu como carne e peixe...

- Está bem filho, parece-me uma boa combinação, pelo menos já é uma evolução...

E por hoje chega, amanhã a batalha continua...

Difícil?

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Muitas vezes recebemos aquela pergunta natural, é difícil com três filhos, dá muito trabalho? Não há uma resposta simples. Se dá trabalho? Dá. Mas o que não dá trabalho na vida? Se dá mais trabalho do que ter um filho? Não me parece, sinceramente. O que custa é entrar naquelas rotinas que todos os pais conhecem, os banhos, as refeições, a disciplina dos horários, o arranjar tempo para as brincadeiras. Depois disso, podemos facilmente admitir que é cansativo, que as noites mal dormidas e as suas consequências são dramáticas, podemos debater tudo isso e claro que variando de pai para pai, de criança para criança, cada experiência é única e só quem passa por ela pode dizer se acha que dá mais ou menos trabalho.

Na minha opinião, da experiência que tenho, não vejo isso como "dar trabalho", apesar de reconhecer que há momentos mais difíceis, outros mais esgotantes, como é normal e expectável.

Isto tudo para dizer o quê? Há uns dias, numa viagem de família, feita de autocarro, dei por mim a pensar numa coisa. Foi a primeira vez que viajei ao lado do Martinho e do Gonçalo. Com o Guilherme fiz algumas viagens, se bem que era mais a mãe a ir no banco de trás ao seu lado. Isto é um pouco insignificante, claro que sim. Mas dei por mim a pensar em muitas outras coisas que não fiz, ou não faço com tanta regularidade como consegui fazer quando só tínhamos o Guilherme. O colo é talvez a mais óbvia. O Martinho e o Gonçalo têm tido muito pouco colo e isso custa. Não vamos sozinhos à praia, ou ao parque, ou ao pão, ou dar um passeio, com um deles. Não sabem o que é ter o pai ou a mãe só para eles, isso custa. 

Parece-me por demais evidente que os benefícios ganham por larga maioria a estes detalhes. Mas mesmo assim custa pensar que há coisas que não conseguimos fazer com a regularidade com que seria desejável. Acredito que eles nem reparem, mas às vezes custa.