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Patrinidade ou a odisseia de um tripai

Ser pai é a melhor experiência do mundo, imaginem ser pai de três, e logo de três rapazes! Este espaço vai ser dedicado às minhas peripécias como pai e à aventura mais alucinante que se pode imaginar...

Patrinidade ou a odisseia de um tripai

Ser pai é a melhor experiência do mundo, imaginem ser pai de três, e logo de três rapazes! Este espaço vai ser dedicado às minhas peripécias como pai e à aventura mais alucinante que se pode imaginar...

Mano 'véio'

manovéio.jpg

 Esta fotografia foi tirada há precisamente 17 meses, no dia em que te tornaste irmão mais velho e eu, tripai.

Normalmente, nos dias em que uma criança nasce, pensamos no recém-nascido, ou na mãe, eventualmente no pai. Os irmãos também podem ser lembrados, mas nesse dia claramente o papel principal não é deles.

É injusto, porque esse dia marcou uma grande mudança na tua vida. Sem pedires, de repente, deixaste de ser o único príncipe da casa, rei e senhor de todos os brinquedos e atenções, e passaste a partilhar tudo, não com um, mas com dois irmãos. Não há maior benção do que essa, mas que é uma grande mudança, também para ti, lá isso é.

Por vezes esquecemos que neste dia 11 de junho de 2014, tu tinhas apenas dois anos e três meses, a culpa é toda tua, que começaste a andar e a falar cedo, e por isso muitas vezes confundes algumas pessoas que pensam que és mais velho do que na realidade és.

Acho que a tua pose nesta fotografia diz muito, és independente, senhor do teu nariz, das pessoas mais decididas que conheço, no alto dos teus (agora) 3 anos. Obviamente ali estavas a beber o teu iogurte e a ver desenhos animados, mas a minha imaginação deixa-me pensar que estavas a tentar pensar no que seria a tua vida quando aqueles dois pequenos bebés que tinhas conhecido há algumas horas entrassem por aquela porta adentro. Eu sei que era nisso que eu pensava quando a tirei.

Para ser justo, a tua vida começou a mudar muito antes deste dia, quando deixaste de ter colo da tua mãe, quando um dia viste os teus pais saírem porta fora a esconderem (mal) de ti as lágrimas que tinham carregadas de apreensão, apenas dias antes de completares 2 anos, e ficaste sem eles por dois dias sem saberes bem porquê, quando uns meses mais tarde ficaste só com o pai porque a mãe, sem saberes porquê, saiu de casa e só voltou uns dias depois, mas continuava a não te poder pegar ao colo, e finalmente, a grande mudança, quando a mãe voltou a sair, e só voltaria a casa já com os manos.

Que aventura para uma criança tão pequena.

Não conheço nenhum pai que não queria estar junto da mulher e dos filhos no dia em que nascem, aproveitar todos esses segundos, e nos dias que se seguem. Não sou diferente, apenas tinha mais um filho, tu, que já tinha mudanças de sobra, não precisavas também de sair da tua casa, estar sem um mas dois pais. Por isso, eu e a mãe, achámos que o melhor era eu abdicar do meu tempo na maternidade, e estar mais contigo,  e ao fim do dia lá íamos passar aquela horinha só nossa, dos 5, juntos na caminha da mãe.

Só de me lembrar o que custava arrancar-te de lá para irmos para a nossa (tremendamente vazia) casinha, voltam-me as lágrimas aos olhos. Mas acho que a forma como fizemos as coisas foi a mais adequada.

Apeteceu-me escrever hoje, porque ao rever esta fotografia lembrei aqueles dias só nossos, e em especial aquele dia em que a vida da nossa família mudou. És um campeão, desde o primeiro dia, e sempre.