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Patrinidade ou a odisseia de um tripai

Ser pai é a melhor experiência do mundo, imaginem ser pai de três, e logo de três rapazes! Este espaço vai ser dedicado às minhas peripécias como pai e à aventura mais alucinante que se pode imaginar...

Patrinidade ou a odisseia de um tripai

Ser pai é a melhor experiência do mundo, imaginem ser pai de três, e logo de três rapazes! Este espaço vai ser dedicado às minhas peripécias como pai e à aventura mais alucinante que se pode imaginar...

Nova fase

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 Ontem foi o último dia do Guilherme na escolinha onde passou quase três anos. Acho que a despedida não foi tão difícil para ele porque a maior parte dos amiguinhos já não está lá e alguma das pessoas que estiveram mais perto dele estão de férias, mesmo assim o teste de fogo vai ser a partir da próxima semana, quando começar a ir para a escolinha nova, sabendo que os irmãos continuam a ir para a escolinha "dele".

É uma nova fase, e o nosso menino vai-se safar certamente, tem facilidade em fazer amigos e cada vez se porta melhor, apesar de continuar um reguila. Está um crescido.

Quando o Guilherme entrou nesta escola eu não ia muito convencido, nem com esta nem com nenhuma, para mim ele só entrava mais tarde. Mas felizmente enganei-me, e todo o carinho e amor que ele encontrou na creche  contribuiram e muito para o desenvolvimento do nosso menino.

Ele foi um bravo soldadinho, espalhou charme e boa disposição, deixou-lhes os cabelos em pés muitas vezes, estava sempre pronto para ajudar, e acho que vai deixar tantas saudades como as que nós vamos ter.

Não vale a pena individualizar os agradecimentos a todos os excelentes profissionais que passaram por esta fase na vida do Guilherme, até para não esquecer injustamente ninguém. Quem trabalhou de perto com ele sabe bem que sempre valorizamos e agradecemos o seu papel, que muitas vezes ultrapassou o das obrigações profissionais.

Disse e repito quantas vezes for necessário, numa fase difícil da nossa vida familiar o apoio dos profissionais da creche foi inexcedível, ajudaram-nos imenso, e isso não se esquece.

Espero encontrar na nova fase pessoas tão dedicadas e disponíveis, pois a experiência que temos destes três anos é muito positiva.

E termino a reproduzir o que o Guilherme disse ontem na despedida, para que as saudades não apertem demasiado "eu depois venho cá buscar os manos"...

Às vezes acontece

Acredito que os pais de gémeos verdadeiros, por norma, não os confundam. Há sempre um sinal, um traço distintivo, um mais magrinho, mais alto, qualquer coisa a que nos agarramos com unhas e dentes para tentar não pôr os pés na poça quando nos dirigimos a um dos nossos filhos.

Um dos dias mais gratificantes foi aquele em que depois de verificar o corpo do Martinho (quase à lupa), lá encontrei um sinal no joelho esquerdo! Quase caiu uma lágrima de alegria, havia esperança, nem que tivessem de usar calções toda a vida para os distinguirmos, havia esperança!

Aos poucos e com a convivência lá fomos detetando outras pequenas diferenças, e, em condições normais, especialmente se estiverem juntos, é difícil confundi-los.

Há no entanto atenuantes, uma é na praia, com chapéus iguais e cobertos de areia não é fácil acertar à primeira...

Outra situação passou-se há uns meses. Recentemente o trio GMG, Guilherme, Martinho, Gonçalo, foi atingido pela Varicela. O Gonçalo foi o primeiro e mais atingido, quando voltou à escola ainda ia bem marcado por aquelas malditas borbulhas e os irmãos ainda não tinham dado sinais. Um certo dia recebo o telefonema para ir buscar o Martinho porque também lhe tinha tocado em sorte. Lá fui todo lampeiro, abro a porta da sala, ele vem logo a gatinhar ter comigo enquanto o irmão estava todo contente a almoçar.

E pronto, lá estava eu feito para me vir embora, com o Martinho, quando me dizem, esse é o Gonçalo, Pai...

Ia eu lançado para trazer um puto com borbulhas de varicela, chego à escola, o que estava sentado não tinha grande coisa, o que veio ter comigo tinha, por isso...

Resumindo, areia da praia e borbulhas da Varicela dificultam a vida aos pais de gémeos verdadeiros...

Bom de bola

Há uns tempos o Guilherme foi com a mamã ver um jogo meu com amigos. Passou o tempo todo a querer entrar em campo para dar uns toques, mas só sossegou porque a mamã lhe garantiu que no fim o pai jogava com ele.

No fim lá fomos os dois todos contentes para dentro de campo, com uma bola quase maior do que ele, para testar a perícia do rapaz. Corremos, rimos, brincámos, tudo aquilo a que temos direito.

No fim lá lhe disse que tínhamos de ir embora.

Não satisfeito, recorreu a um truque do mais baixo que existe, de mão dada comigo, olhou para o campo e disse:

- Pai, tu jogas muito bem à bola...

Como resistir a dar mais uns toques com ele?...

Que recepção

Depois de um dia de trabalho, ter a possibilidade de ir buscar os três à escolinha, abrir a porta da sala e ver os 3 a correr para mim... Sem preço!

Censura social vs uma paciência do catano

Desde que o Guilherme chegou às nossas vidas, pelas mais variadas razões, boa parte das suas idas à praia foram feitas só comigo. Se no primeiro ano a coisa era pacífica, tendo em conta que o maior problema era enfiá-lo no sling, uma espécie de marsúpio mais compacto, com o passar do tempo a experiência tornou-se mais refinada.

O ano passado tivemos praticamente um mês a ir os dois para a praia, mas já na última semana, tive um daqueles episódios jeitosos. Era um domingo ao fim da tarde, e lá fomos os dois dar um mergulho à praia da rocha. O caminho correu bem, ele ia no carrinho, e íamos todos contentes. Depois de uma descida íngreme e pouco amiga de carrinhos de bebés ou cadeiras de rodas, lá chegámos ao acesso à praia. Na passadeira, o meu filho mais velho no seu tom mais angelical pediu-me para sair do carrinho e ir a pé na passadeira que vai pela praia dentro, e eu acedi naturalmente e satisfeito por ver que ele ia todo contente.

Quando chegamos ao fim da passadeira, do nada, larga uma daquelas birras, sentado na passadeira, a berrar e a chorar que queria voltar para a praia. Respirei fundo, contei algumas vezes até cem, suportei os cortantes olhares dos veraneantes que no conforto da sua toalha, provavelmente onde estavam a esturricar desde o meio dia, me julgavam sem dó nem piedade.

Levei o carrinho para a areia, estiquei as toalhas, e a birra não abrandava.

Pego no telefone e ligo para a mãe, aqui convém dizer que este era o dia em que tínhamos chegado ao local de férias, pelo que era a primeira vez que íamos à praia à tarde, e disse simplesmente, isto se calhar não foi boa ideia...

Chegado a este ponto, e como em tantas das nossas contendas pai - filho, já não havia forma de voltar recuar e ceder não era opção. Quando por fim a birra abrandou, na minha cabeça deve ter passado uma meia-hora mas admito que tenha sido coisa de minutos, sentei-me na passadeira ao lado dele, conversámos, e lá fomos todos contentes gozar um fim de tarde na praia. Pudessem todas as birras ser resolvidas de forma tão serena...

Credo, que horror!

Eu e a minha Senhora, quando passeamos com os catraios, passamos pela mesma situação que muitos pais de gémeos passam, ouvimos tudo e mais alguma coisa. Aqui vão algumas pérolas que andam no top:

- Gémeos, que horror!

- Credo!

- Ahhhh, são 3! (depois de passarem pelo carrinho duplo, e de repararem no Guilherme)

- Têm olhos azuis, coitadinhos...

- Como é que conseguiram fazer 3 meninos tão lindos (obrigado pela parte que nos toca)

- Foi de propósito?

- Só rapazes, coitada da mãe...

- Que meninas tão lindas...

- Esta é uma menina, aquele é um menino...

E os clássicos, são verdadeiros?, são gémeos?

E é isto. Sim é um horror, é um horror ouvir certos comentários. Credo, andámos com ele na boca durante uns meses mas assim que nasceram passou a "graças a Deus". Sim, são 3. É um mistério mas sim, são lindos. Foi de propósito mas não posso divulgar a técnica a esta hora, há crianças acordadas e atentas a este blog. De facto, coitada da mãe. São mesmo dois meninos, são mesmo verdadeiros e, sim, são gémeos...

 

Ai sabe sabe

Quando o Guilherme nasceu, teve de ficar uns dias ainda internado na unidade de cuidados neonatais da MAC. Teve de fazer antibiótico, pelo que tinha as mãozinhas ligaduras, que naturalmente não podiam ser molhadas.

No primeiro banho dele que assisti, ajudei a enfermeira, segurando as mãozinhas dele para não se molharem. No dia seguinte a mesma enfermeira estava na sala mas a dar assistência a outros meninos. A que estava connosco lá me perguntou se queria/sabia dar-lhe banho... Ainda antes de eu ter hipótese de responder, disparou do outro lado da sala a enfermeira do primeiro banho, ai sabe sabe, que ele ontem já me ajudou a dar banho por isso hoje pode dar!

E lá fui eu, com o meu caganita, fazer aquilo que felizmente foi o primeiro de muitos banhos. A medo, quase como se esperasse que a qualquer momento  saísse disparado das minhas mãos, lá o lavei de um lado, depois do outro, e quando dei por isso estava feito, a minha primeira banhoca paternal.

Para compensar o meu esforço lá ouvi a enfermeira dizer, vá lá, tem jeitinho!

E agora?

Estou sozinho em casa com os três. Aproxima-se perigosamente a hora de almoço dos mais pequenos, mas a calma em casa deixa-me relativamente optimista.

O Martinho parece estar mais irrequieto, deve ter sono, penso, por isso deito-o na caminha dele. O Gonçalo está com ar de quem já comia. O Martinho está tranquilo na cama, o Guilherme está sossegado a ver desenhos animados, afinal a coisa vai correr bem, estão todos a colaborar.

Preparo a sopa do Gonçalo e o Martinho dá os primeiros sinais de impaciência, se calhar não vai dormir tão depressa. À visão do prato da sopa o Gonçalo deixa bem claro que não está disposto a esperar. De onde menos se esperava vem a bomba, o Guilherme entra na cozinha com um ar bem aflito a dizer que tem de fazer, e estou a citar, puns.

Uma ténue linha de suor percorre lenta mas decisiva pela minha cara abaixo.

Respiro fundo, sem ouvir os meus pensamentos porque o Martinho já berra a plenos pulmões, e saio decidido com o Guilherme em direção à casa-de-banho. Sento-o e preparo-me para sair enquanto o deixo entregue aos seus desígnios mas, eis que, não me deixa, tenho de ficar com ele, a segurá-lo... Da cozinha chegam gritos de protesto, aquele que há poucos minutos se preparava para ser o primeiro a satisfazer os seus desejos vê-se agora perigosamente deixado para segundo plano.

Por esta altura a ténue linha de suor transformou-se num rio que corre desenfreado de todos os meus poros.

Uma desconcertante sinfonia chega em stereo, do lado direito os pedidos de socorro do Martinho, qual prisioneiro nas grades da cama, do lado esquerdo o esfaimado Gonçalo, ainda com a visão do seu prato de sopa a desafiá-lo. Podia ser suficiente para o Guilherme desarmar e deixar-me ir em auxílio dos manos, puro engano...

Enfim chega a hora de dar por terminada a incursão do Guilherme à casa-de-banho. Estou na dúvida se os meus ouvidos deixaram de os ouvir ou se pararam de chorar... Assim que posso saio pé ante pé em direção à porta do quarto, qual espião em plena ação de vigilância espreito sorrateiramente para dentro do quarto e vejo que o bravo Martinho foi vergado pelo sono.

Parto mais confiante em direção à cozinha onde vou finalmente dar a sopa ao Gonçalo, convencido que finalmente percebeu que ia ter de esperar e que não valia a pena chorar mais... Entro na cozinha, e dou com ele a dormir na cadeira de comer...

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